Biogás no Semiárido: Uma Solução Sustentável para a Insegurança Energética

A realidade de muitas famílias na região semiárida do Brasil é marcada pela vulnerabilidade socioeconômica. Com o aumento dos preços do gás de cozinha (GLP) e o desemprego, muitas comunidades voltaram a depender da lenha, o que traz sérios riscos à saúde respiratória.

Uma pesquisa recente propõe uma alternativa eficiente: o uso de biodigestores de baixo custo para transformar dejetos animais em energia limpa.

O Problema: Vulnerabilidade e Dependência Energética

No Nordeste, a lenha é a segunda fonte de energia mais utilizada para cozinhar. Nas comunidades rurais de Forquilha, Ceará, as famílias consomem, em média, um botijão de 13 kg de gás por mês, o que compromete cerca de 10% do salário mínimo.

Figura: Localização do distrito de Forquilha, Ceará, área de estudo da pesquisa.

A Solução: Tecnologia Social de Baixo Custo

O estudo desenvolveu um protótipo de biodigester focado em ser fácil de manter e operar. O sistema consiste em:

  • Reator Químico: Onde ocorre a fermentação anaeróbica dos dejetos.
  • Gasômetro: Reservatório para armazenar o biogás produzido.
  • Filtros: Utilizam água e palha de aço para remover impurezas do gás.
Protótipo do biodigestor utilizado para os testes de produção de biogás.

Como funciona na prática?

Para os testes, foram utilizados 50 kg de esterco bovino diluídos em 50 L de água (proporção 1:1). Em um ciclo de 30 dias, o sistema manteve uma produção estável, com uma concentração de 65% de metano no biogás.

Viabilidade Econômica: O Bolso Agradece

Além do benefício ambiental, o projeto é financeiramente acessível para agricultores familiares:

  • Custo Estimado: Aproximadamente R$ 3.637,00 (valores de 2022).
  • Payback (Retorno): O investimento se paga em 33 meses através da economia com a compra de gás de cozinha.
  • Subproduto: Além do gás, o sistema gera biofertilizante, que pode ser usado para enriquecer o solo das plantações locais.

Conclusão

A implementação de biodigestores em larga escala, apoiada por políticas públicas de crédito (como o Agroamigo Sol), tem o potencial de transformar a segurança alimentar e energética no semiárido. É uma tecnologia que une sustentabilidade, saúde e economia real para quem mais precisa.

Referência

PRACIANO, A. C. et al. Biodigesters: social technology for reducing energy insecurity in rural communities of the semi-arid region. Revista Ciência Agronômica, v. 56, e202392865, 2025.

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